segunda-feira, 11 de junho de 2007

O UNIVERSO AUTOCONSCIENTE

Acabo de fechar as últimas páginas do livro “O universo autoconsciente”, do físico indiano Amit Goswami. Quem viu o filme “Quem somos nós” – What the bleep do we know – deve lembrar dele como o teórico que tenta unir física quântica ao misticismo hindu, com relativo sucesso. Ele postula a aplicação dos pressupostos quânticos (dualidade onda/partícula; ação não-local; interferência do observador no objeto observado; etc) para a resolução do antiqüíssimo dilema matéria/consciência que divide até hoje pesquisadores e filósofos.
As discussões teóricas do livro não vêm ao caso neste blog. O que me motivou a postagem foi a constatação de que, cada vez mais, físicos, matemáticos e cientistas diversos com formação hindu ganham destaque no cenário científico internacional com teorias ultra-modernas ou mesmo radicais, unindo filosofia e ciência de forma bastante inovadora.
Essa constatação me leva a um questionamento meio óbvio: será que tal fato se deve à formação educacional hindu, que abre espaço para a formação filosófica dentro do sistema educacional tradicional? A Índia ainda é muito influenciada pelos costumes ingleses e, pelo que pesquisei, seu atual sistema educacional deriva em muito do sistema britânico. No entanto, se há um setor em que os colonizadores foram definitivamente derrotados foi no que toca aos costumes tradicionais. Eles permanecem quase intocáveis na Índia, tanto para o bem como para o mal.
Andei pesquisando um pouco sobre a educação naquele país. O melhor site sobre educação na Índia que achei foi a página da wikipedia em inglês (http://en.wikipedia.org/wiki/Education_in_India). O gráfico mostra evolução do investimento em educação na Índia. Os valores estão em Rúpias, mas as barras dão uma boa idéia de como o setor evoluiu positivamente.




Apesar de toda essa evolução, os autores dos artigos que li deixam bem claro que o sistema educacional indiano ainda tem muitas falhas, principalmente no que diz respeito à meta de erradicar o analfabetismo entre as crianças que, inclusive, é constitucional.
De qualquer forma, nomes como os dos físicos Chandrasekhara Venkata (C.V.) Raman e Jagadish Chandra; do cosmólogo Simon Singh ou do matemático Satyendranath (S.N.) Bose tornam bem claro que a educação indiana vem deixando um legado ao mundo que pode ser tomado como exemplo para o Brasil. E o livro de Goswin é uma prova irrefutável de que a combinação de educação científica e humanista pode trazer uma visão inteiramente nova da ciência no mundo moderno.

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