sexta-feira, 8 de junho de 2007

O SORRISO DA MONA LISA

O filme é de 2003, do diretorMike Newell, com Júlia Roberts, Kirsten Dunst e Julia Stiles no elenco principal. O enredo é centrado na passagem de Katherine Ann Watson, uma liberal professora de história da arte, por Wellesley, tradicional faculdade de artes feminina da costa Oeste dos Estados Unidos, na década de 50.
Ao tentar implementar uma pedagogia progressiva histório-crítica a professora se defronta com a oposição tanto da direção da escola como de algumas das alunas, apegadas ao método liberal tradicional. Ao longo do filme Katherine vence a resistência da maior parte das suas alunas, levando-as a um passeio pela arte moderna e contemporânea - um dos pontos fortes do filme é uma visita a um galpão onde estavam obras de Jack Pollock, polêmico pintor americano, atormentado por problemas mentais.
O relacionamento da professora com duas alunas, Joan Brandwyn (Julia Stiles) - uma brilhante aluna, incentivada por Katherine a se candidatar a uma vaga em Harvard - e Betty Warren - (Kirsten Dunst) que optou por tomar o caminho do casamento - dá o tom emocional ao filme, revelando também como o professor leva seus próprios conceitos pré concebidos para a sala de aula. Ao reverterem seus papéis, Joan - que acaba se casando e abandonando seus objetivos - e Betty - que se separa e resolve continuar os estudos - surpreendem Katherine, que acaba por constatar que a felicidade é subjetiva e pode estar em vários lugares diferentes para pessoas diferentes.
Este talvez seja o mote principal do filme, do ponto de vista didático. Quão difícil será para o professor deixar de lado seus valores e conceitos, introjetados ao longo de uma vida, para ensinar os alunos a formarem os SEUS próprios valores e conceitos? Não é muito mais confortável assumir uma postura de repassador dos próprios conceitos (normalmente alinhados com o da instituição de ensino)? Não é tão perturbador pensar que O OUTRO pode ser feliz e se sentir realizado de outra forma e que cabe ao educador apenas ajudá-lo a achar esse caminho? O rosto enigmático de Katherine, ao deixar Wellesley por não acatar as condições da renovação de seu contrato, dá a entender que não há resposta perfeita para essas questões.

O link http://neteducacao.globo.com/site/usenet/sorrisoMonaLisa_new.jsp traz uma análise interessante das possibilidades do uso desse filme em aulas. Vale conferir.

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